mo folhas de um gramado afiado. Será feroz como
a tempestade, este príncipe. Os inimigos tremerão perante ele
e suas esposas chorarão lágrimas de sangue e rasgarão a carne
de desgosto. Os sinos de seus cabelos cantarão a sua chegada,
e os homens de leite nas tendas de pedra temerão o seu nome -
a velha tremeu e olhou para Dany quase como se tivesse
medo. - O príncipe cavalga, e será ele o garanhão que monta o
mundo.
- O garanhão que monta o mundo! - gritaram em eco
os espectadores, até que a noite ressoou ao som de suas vozes.
A feiticeira de um olho só espreitou na direção de Dany.
- Como será chamado o garanhão que monta o mundo?
Dany ergueu-se para responder.
- Será chamado Rhaego - disse, usando as palavras que Jhiqui
lhe ensinara. Tocou protetoramente o inchaço sob os seios
quando um rugido chegou de entre os dothrakis.
- Rhaego - gritaram. - Rhaego. Rhaego. Rhaego!
O nome ainda ressoava em seus ouvidos quando Khal Drogo
a levou para fora do recinto. Seus companheiros de sangue
puseram-se atrás deles. Uma procissão os seguiu pelo caminho
dos deuses, a larga estrada coberta de relva que corria pelo
coração de Vaes Dothrak, do portão dos cavalos até a Mãe
das Montanhas. As feiticeiras do dosh khaleen vinham à
frente, com seus eunucos e escravos. Algumas se apoiavam em
altos cajados esculpidos enquanto avançavam com
dificuldade sobre pernas antigas e trêmulas, ao passo que
outras caminhavam com um porte tão orgulhoso como o de
um senhor dos cavalos. Cada uma das velhas mulheres tinha
sido antes uma khalees i .
Quando os senhores seus maridos morreram e novos khals
lhes tomaram os lugares à frente de seus cavaleiros, com
novas khalees i montadas a seu lado, foram enviadas para
lá, a fim de reinar sobre a vasta nação dothraki. Mesmo o
mais poderoso dos khals se dobrava perante a sabedoria e
autoridade do dosh khaleen. Apesar disso, pensar que um
dia poderia ser enviada para lá, quer quisesse quer não,
causava arrepios em Dany.
Atrás das sábias vinham os outros: Khal Ogo e o filho, o
khalakka Fogo, Khal Jommo e as esposas, os homens mais
importantes do khalasar de Drogo, as aias de Dany, os
servos e escravos do khal , e mais pessoas. Sinos tocavam e
tambores ressoavam numa cadência imponente enquanto
marchavam ao longo do caminho dos deuses. Heróis roubados
e os deuses de povos mortos meditavam na escuridão atrás da
estrada. Ao lado da procissão, escravos corriam pela relva
com pés ligeiros e archotes nas mãos, e as chamas oscilantes
faziam com que os grandes monumentos quase parecessem
estar vivos.
- Que significado tem esse nome Rhaego? - perguntou Khal
Drogo enquanto caminhavam, usando o Idioma Comum dos
Sete Reinos. Dany tinha procurado lhe ensinar algumas
palavras sempre que podia. Drogo aprendia depressa quando
se decidia a isso, embora seu sotaque fosse tão forte e bárbaro
que nem Sor Jorah nem Viserys entendessem uma palavra do
que dizia.
- Meu irmão Rhaegar era um feroz guerreiro, meu sol-e-
estrelas - ela disse. - Morreu antes de eu nascer. Sor Jorah diz
que ele foi o último dos dragões.
Khal Drogo a olhou. O rosto era uma máscara de cobre, mas
sob o longo bigode negro, pesado por causa de seus anéis de
ouro, ela julgou vislumbrar a sombra de um sorriso.
- E bom nome, esposa Dan Ares, lua da minha vida - ele disse.
Caminharam até o lago a que os dothrakis chamavam o
Ventre do Mundo, rodeado por uma orla de juncos, de água
quieta e calma. Um milhar de milhares de anos antes, dissera-
lhe Jhiqui, o primeiro homem emergira das suas profundezas,
montado sobre o dorso do primeiro cavalo.
A procissão aguardou na costa coberta de mato enquanto
Dany se despia e deixava cair ao chão a roupa manchada.
Nua, entrou cuidadosamente na água. Irri dizia que o lago
não tinha fundo, mas Dany sentiu lama mole espirrando
entre os dedos dos pés enquanto abria caminho por entre os
grandes juncos. A lua flutuava nas negras águas paradas,
estilhaçando-se e recompondo--se enquanto as ondulações que
Dany provocava a varriam. A pele branca arrepiou-se quando
o frio deslizou pelas coxas e lhe beijou os lábios de baixo. O
sangue do garanhão havia secado em suas mãos e em torno da
boca. Dany fez uma taça com os dedos e ergueu as águas
sagradas acima da cabeça, purificando a si e ao filho que
trazia no ventre enquanto o khal e os outros olhavam.
Ouviu as velhas do dosh khaleen murmurarem umas com
as outras enquanto a observavam, e sentiu curiosidade de
saber o que estariam dizendo.
Quando emergiu do lago, tremendo e pingando, a aia Doreah
correu para ela com um roupão de sedareia pintada, mas
Khal Drogo mandou-a embora com um gesto. Olhava com
admiração para seus seios inchados e a curva de sua barriga, e
Dany conseguia ver a forma de seu membro viril fazendo
pressão contra as calças de couro de cavalo, sob os pesados
medalhões de ouro do cinto. Foi até ele e o ajudou a despir-se.
Então, seu enorme khal a pegou pelas ancas e ergueu-a no
ar, como se ela fosse uma criança. As campainhas que trazia
nos cabelos tiniram suavemente.
D